sexta-feira, 21 de março de 2014

BIOGRAFIA ECOLÓGICA

        
  Meu nome é Luciani Dias Justino Parron, mas a maioria das pessoas me chama de Lu. Nasci no dia 3 de novembro do ano de 1974, na cidade de Pirapozinho, interior do estado de São Paulo. Morei no sítio do meu avô até os dois anos quando nos mudamos para a cidade, lá permaneci até os vinte anos quando me casei e fui morar na cidade vizinha, Presidente Prudente, há 18 km de distância. Atualmente estou com 39 anos e há três anos moro em Lucas do Rio Verde.
          Fiz magistério no CEFAM (Centro específico de formação para o magistério) e iniciei minha vida profissional como professora em escola particular no município de Presidente Prudente, após cinco anos me efetivei na rede municipal como professora de educação infantil onde permaneci por 14 anos, sendo cinco deles na coordenação de uma creche. Nesse período tive meu filho mais velho e fiz minha faculdade de pedagogia, seis anos depois tive o segundo filho período em que fiz minha pós-graduação. Exonerei meu cargo quando me mudei pra Lucas do Rio Verde e comecei a trabalhar na rede municipal como contratada e há um ano me efetivei novamente.
          Não me recordo da época em que morei no sítio, pois sai de lá bem pequena, mas na cidade moramos em duas casas a primeira tinha um quintal enorme e meu pai plantava pés de café entre outras plantas, na maioria, frutíferas, me lembro de que criávamos animais para consumo (galinhas, porco) e alguns de estimação (ganso, maritaca e coelho). O ganso vivia correndo atrás de mim e eu morria de medo dele, tínhamos um balanço pendurado na árvore e meus irmãos passeavam de bicicleta no quintal. A segunda casa ficava no centro e já não tínhamos mais tantos animais, porém meu pai continuava plantando pés de frutas (limão, laranja, poncã) também tinham um pé de seriguela e dois pés de manga. Minha mãe fez uma horta dentro de uma caixa d’agua velha, nessa época meus irmãos já trabalhavam e eu brincava com a vizinhança no quintal e na rua de casa.
          A escola que estudei da primeira à oitava série (Escola Estadual Professor Celestino Martins Padovam) ficava há dois quarteirões de casa e eu ia a pé para a escola, mas na cidade havia mais quatro colégios. A escola era cercada de árvores e na entrada tinha um jardim lindo com flores vermelhas e amarelas, próximo a este espaço hasteávamos a bandeira uma vez por semana.
          Minha mãe nunca trabalhou fora e ela preparava todo alimento em casa, inclusive pães e queijo. Não tive brinquedos comprados e as vestimentas eram simples e somente o básico, algumas eram confeccionadas em casa mesmo. Tínhamos o hábito de comprar o tecido para confeccioná-la. Nossos muros eram baixos e o contato com vizinhos era diário, ninguém ficava na tv, preferíamos brincar de elástico, esconde-esconde, mamãe da rua ou simplesmente bater papo sentados na calçada. Os lixos eram descartados em latas que o lixeiro devolvia após coletar, e as compras eram embaladas em sacos de papel.
          Com o passar do tempo as casas foram se modificando, os espaços verdes diminuíram ou simplesmente desapareceram, a vida moderna, a tecnologia  e a emancipação da mulher contribuíram com o aumento do consumo de alimentos prontos, eletrodomésticos e energia demasiados. Hoje sabemos da necessidade de mudanças de hábito para preservação e sustentabilidade do planeta, mudanças difíceis para todos os que estão acostumados com o conforto e comodidade que a vida moderna nos proporciona, porém possíveis e reais do ponto de vista futuro e com consciência do impacto que isto tem nos causado. Portanto se cada um fizer sua parte e um pouquinho mais podemos diminuir esse impacto negativo em nossas vidas. Analisando minha pegada ecológica percebo que há muito para mudar e melhorar, principalmente com relação à alimentação, vou procurar diminuir o consumo de alimentos prontos e industrializados.


quarta-feira, 19 de março de 2014


Biografia Ecológica

Meu nome é Carina Parra da Silva, nasci no dia 24/11/1985 na cidade de Bastos/SP, conhecida como a cidade do “ovo”, por produzir diariamente 5 milhões de ovos...é muito ovo. Quando criança, morávamos nas dependências deum frigorífico, pois meu pai era encarregado da parte mecânica e aparelhagens desta firma, e como sempre havia a necessidade de seus serviços, independente da hora morávamos na empresa e assim outras famílias de encarregados moravam lá. Assim minha infância foi muito legal, brincávamos muito, tinha muito espaço, muitas árvores, inclusive tínhamos uma casa em cima da arvore... muito legal. Ah também tinha rio por perto, porem o rio era raso e uma vez começamos a fazer tipo barragem com restos de construção para ficar mais fundo e assim poder mergulhar...que pensamento, mal sabíamos que estávamos poluindo rs. Tinha animais dóceis, mas também peçonhentos, tinha muita cobra, pois no frigorifico tinha a Caldeira (produzir energia ) e com isso tinha muitas lenhas e assim muitas cobras...daí começou meu pavor, pois até dentro de casa elas entravam. Analisando agora, quanto à Caldeira, me lembrei do gás de amônia (utilizado para o resfriamento) muito tóxico, inclusive uma vez teve vazamento e meu pai se intoxicou, foi buscar um rapaz que havia desmaiado com o forte cheiro e quando ele saiu com o rapaz, quem desmaiou foi ele.  Outro fator ambiental importantíssimo daquela época é que reciclávamos sem mesmo se dar conta. Pois tínhamos um balde no fundo de casa, perto de uma árvore, que jogávamos restos de comida, chamávamos de lavagem e o lavageiro passava diariamente recolhendo pra levar para o sitio onde criava porcos. Também não tinha garrafa pet, pois tomávamos tubaína que o pai comprava de caixa (engradados). Fraldas descartáveis não se usavam no meu irmão, usávamos fralda de pano, pois fraldas descartáveis só usavam quando se ia passear.
Morávamos perto da escola, mas como nossa casa ficava a beira da estrada, acordávamos bem cedo pra ir com o motorista de ônibus buscar as crianças do interior, só pra passear de ônibus rs. Naquela época que não faz muito tempo, os estudos eram rígidos, estudávamos pra prova, respeitávamos o professor e reprovávamos se não tivéssemos capacidade pra série seguinte...ah que saudade! Saudade da autonomia do professor.
Aos 18 anos ingressei na faculdade de Matemática (FAI-Faculdades Adamantinenses Integradas) na cidade vizinha, em Adamantina/SP,  viajando 104 km diariamente (ida e volta). Aos 22 anos me formei e vim morar em Lucas do Rio Verde/MT após ter enviado um curriculum à Secretaria de Educação via e-mail. Em 2008 quando cheguei, lecionei na escola estadual Dom Bosco e na escola municipal Olavo Bilac. Neste mesmo ano conheci meu esposo Flavio, uma paixão avassaladora rs. Em 2009 nos casamos e tivemos uma filha “Sara” que infelizmente faleceu antes de nascer, uma rasteira que o destino nos deu, mas que Deus vem nos cuidando e nos fortalecendo até os dias atuais. No ano de 2012 muitos acontecimentos bons aconteceram. Efetivei no município, conquistamos a casa própria e fomos presenteados com a chegada do Davi, meu filho tanto amado e desejado. Porém em dezembro tivéssemos outra noticia avassaladora, meu estava com Câncer em fase terminal, nossa família ainda se encontra em luto...meu pai sofreu demais e até de falar me emociono.

Enfim, sou apaixonada por essa cidade. Não há comparação com minha cidade, nem mesmo com os cidadãos. Pois em LRV as pessoas têm pensamentos promissores, assim como o andamento da cidade. Nesta cidade, através de cursos comecei a me policiar quanto às questões ambientais e já mudei muitas atitudes, porém posso e devo me conscientizar e mudar ainda mais, pois em um questionário sobre meu estilo de vida, seria necessário 0.9 (quase 1) planeta pra me manter...e olha o tamanho de um planeta, um absurdo não é mesmo?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

"Professores fechados a novos métodos de ensino não têm futuro."




A afirmação é do professor e psicopedagogo Celso Antunes. Ele fala sobre os bons e maus efeitos da Internet na educação atual.


O professor e psicopedagogo Celso Antunes considera a Internet mais que uma nova mídia, a mais importante da chamada Era da Informação — trata-se de uma ferramenta a serviço de uma revolução no ensino. "O professor pode, por exemplo, mostrar aos jovens que a informação tem diferentes abordagens cognitivas, seja observando uma tela, apreciando um texto, uma animação ou um áudio."

Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo, mestre em Ciências Humanas e especialista em Inteligência e Cognição, Celso Antunes é coordenador-geral do ensino de graduação do Centro Universitário Sant'Anna (UNISANTANNA) e do Colégio Sant'Anna Global, em São Paulo. Atua também como consultor da revista Nova Escola, da Editora Abril, e possui mais de cem obras didáticas e paradidáticas traduzidas para a América Latina e para a Europa e dezenas de outras que envolvem cognição, criatividade, ensino e aprendizagem.

Na entrevista a seguir, ele aborda os novos papéis da mídia na educação e suas conseqüências nas relações entre professores e alunos em sala de aula.

Howard Gardner afirma que "alguns talentos só se desenvolvem porque são valorizados pelo ambiente". A valorização atual dada às competências na informática não torna a educação utilitária?

Prof. Celso Antunes - Durante muitos anos a escola agiu como centro transmissor de informação, como instituição que divulgava o saber. E era correto que assim fosse, que ela cumprisse o seu papel. A partir dos anos 70, com o avanço da tecnologia, novos canais de informação foram surgindo, e eles delinearam o novo papel do professor e do aluno. Eu considero a Internet muito importante nestes novos tempos.

Quais habilidades a Internet desenvolve nos jovens usuários?

Prof. Celso Antunes - Habilidades não se desenvolvem sozinhas. A Internet é um grande painel de informações. O professor pode, por exemplo, mostrar aos jovens que a informação tem diferentes abordagens cognitivas, seja observando uma tela, apreciando um texto, uma animação ou um áudio. Um dos grandes trabalhos do professor é ajudar o jovem a organizar as informações que recebe da Internet e ensinar a utilizá-las com múltiplos enfoques: espacial, lógico-matemático, lingüístico. Assim, o aluno aprende a trabalhar habilidades comparatórias importantes como julgar, classificar, analisar, comparar, entre outras. Há que se fazer ainda que a informação obtida, analisada, julgada e comparada possa ser contextualizada na realidade em que aluno está inserido. Ou seja, a Internet pode fazer com que a informação chegue aos alunos A e B. Mas o aluno B, com o auxílio do professor, estará sujeito à informação com mais qualidade.

A tarefa de tomar posse do "saber universal" é totalmente impossível. O senhor acredita que a pressão para aprender pode levar os jovens ao stress intelectual?

Prof. Celso Antunes - Sim. Pode, inclusive, levar ao desinteresse. A escola deve organizar as informações para o aluno, selecioná-las para a aprendizagem e ensiná-lo a perceber o que buscar na Internet e como realizar essa busca.

O senhor concorda com a preocupação de muitos psicólogos de que o uso contínuo e desmesurado da Internet possa atuar negativamente no convívio social e no estabelecimento de relações afetivas, uma vez que "navegar" é uma tarefa solitária?

Prof. Celso Antunes - Sim. Sem critérios e de modo fanático o jovem pode vir a ter essas influências. A escola tem três grandes papéis. Ela é um centro epistemológico, é um núcleo de preparação para o mercado de trabalho e um universo de socialização. Não se ensina que nem tudo que há na geladeira serve para comer? Para o cérebro vale a mesma verdade. Pais e escola devem atuar para que a qualidade da informação seja saudável.

De que modo a Internet pode ajudar o jovem a se educar para a vida?

Prof. Celso Antunes - A Internet é um recurso a mais. Seu uso não dispensa a família, a escola e os demais agentes de educação.

Qual a utilidade da informática para as crianças menores, até 6 anos?

Prof. Celso Antunes - Depende do tipo de trabalho que se propõe a essas crianças. Para os primeiros anos da infância penso que o ideal sejam programas interativos, em que ela possa "ensinar" o computador.

Qual a orientação que o senhor daria aos professores que se utilizam de tecnologias inovadoras, mas ainda têm práticas conservadoras?

Prof. Celso Antunes - Eu diria para observarem as profissões que existiam há uma ou duas décadas. Que procurem pelas parteiras, pelos artesãos, pelos consertadores de canetas. Eles já não existem. Com o magistério não é diferente. Se o educador não olhar os tempos atuais com uma nova perspectiva, se ele não se habilitar ao uso dessas novas ferramentas, não haverá futuro. Ele deve assumir o papel de especialista em aprendizagem e esquecer os métodos retrógrados.
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Flávia Muniz/BR Press
Especial para o Educacional

Professores (e Professauros...)



Mais um ano vai se iniciar... E aproveitando essa oportunidade, vamos voltar a um tema bem “Pré-Histórico....... O que este título vem a sugerir? Qual a relação existente entre o professor e o simpático dinossauro?
Os dinossauros são espécies extremamente simpáticas, principalmente para as crianças. Os meninos os adoram. Dinossauros eram criaturas de outros tempos, de diferentes alturas e comprimento. Fazendo uma comparação dos dinossauros com os professores, chegamos a conclusão que ainda existem professores de outros tempos pelas nossas salas de aula. Pior ainda é ver que muito deles estão se preparando para serem este tipo de professor. Mas voltando ao assunto, existem uns grandes, outros pequenos, que se identificam pela dificuldade de incorporar os  novos tempos, não querem mudar pois olham a criança de hoje com os mesmos olhos da criança de antigamente.
Segundo o professor Celso Antunes, existem algumas diferenças bem acentuadas entre o professor e o professauro. O início do ano letivo é uma oportunidade ímpar de aprender a crescer, um momento mágico de revisão crítica e decisões corajosas;  para os professauros, o angustiante retorno a uma rotina odiosa, o eterno repetir amanhã tudo quanto de certo e de errado se fez ontem.
A acolhida aos alunos, para os professores, significa a alegria de percebê-los e são efetivos protagonistas das aulas que ministrarão. A certeza de não os ensinarem, mas de poder contribuir de forma decisiva para iluminar suas inteligências e afiar suas competências. Para os professauros, nada mais que chatíssimos clientes transformados em espectadores pensarão sempre mais na disciplina que na aprendizagem, mais na vagabundice que no crescimento interior (ANTUNES, Celso, 14, Professores e Professauros, Editora Vozes, 2007).
Assim, infelizmente, para todos nós, esta espécie de professor está cada vez mais raro. Os Professores rudes, que não se especializam, os professores autoritários e muitas vezes Ditadores da pior espécie, também fazem parte das nossas vidas. Os professauros, assim como os dinossauros, sempre nos causam pânico:  com seus terríveis trabalhos, suas terríveis provas e seu terrível autoritarismo.  Estes professores gostam de mostrar para seus alunos que não são apenas "UM" professor, mas sim "O" professor. São dotados de frases de efeito bem ao tipo "Sou eu quem ensina. Você está aqui apenas para aprender".
Numa infindável pesquisa, citaremos nas próximas linhas, alguns exemplos de professauros, que agora sim, felizmente, estão em extinção, apesar de ainda teimarem em andar pelos corredores das escolas. Assim, para ser humorístico como também explicativo, vamos citar aqui alguns exemplos de professauros, veja se você reconhece alguns deles:
O "TIRANOSSAURO REX" – Uma criatura de porte bem avantajado e corpulento. É o professor que acaba com tudo o que encontra pela frente. Vai chegando devagar e como quem não quer nada quando, de repente, ZAP!! Destrói tudo a sua frente (da sala de aula até a equipe pedagógica inteira). Animal de vida longa – esse tipo de professauro, com toda a sua “longevidade e experiência”, se torna um alvo difícil de ser abatido.
O "PREDATON II" - Outro carnívoro e destruidor comparável ao Tiranossauro. De tendência predatória e individualista, é o maior exemplo de profissional que não precisamos nas escolas e universidades. Este tipo de professauro chega na sala, aplica sua aula, vai para casa e cumpre sua tarefa com precisão cirúrgica. Porém, é aconselhável que se evite assuntos como "espírito de equipe" e "companheirismo" pois a tendência dessa criatura é não se importar com nada. “UM VERDADEIRO DITADOR”. A princípio, ninguém tem nada com ele. Tem fama de rigoroso por cumprir o básico de forma bem séria, com total cumprimento de prazo e metas. Só que fica o alerta: Rigor é uma coisa que, às vezes, é muito bem vindo. Agora falta de interesse é outra, e bem prejudicial.
O "PTEROSSAURO" - Esse tipo de professauro possui a característica de ser dotado de asas. Assustador e que pode "voar" grandes distâncias. É o que hoje chamaríamos de "exibidão". Sempre espalhando seus feitos (não importa se verdadeiros) para atrair novas presas e conquistar a simpatia dos alunos (O FALSO DITADOR, OU O DITADOR FALSO). Uma de suas características é a simpatia. Desse modo, consegue disfarçar muito bem o fato que de exibe muito e faz pouco.
O "CINODONTE" – Esse até que seria um excelente profissional se a sua especialização não fosse seu apurado instinto de sobrevivência. Esse professauro é daqueles que faz tudo para sobreviver no local onde ele ensina, ou seja, arranja mil e um planos para sobreviver no emprego em vez de desenvolver sua própria competência e vocação. Esse professauro se especializa na arte de "puxar o tapete" e sabotar os outros (BEM PROPÍCIO EM NOSSA REALIDADE). Algo bem triste, visto que essa energia desperdiçada na elaboração de seus "planos infalíveis" poderia ser bem aproveitada em melhorias para o seu meio de Ensino.
---x---
OBS:
Eu poderia continuar citando ainda outros modelos em estado de extinção. Mas uma coisa é certa: Que nós, os alunos, e futuros professores, devemos saber é que eles estão entrando em extinção. Serão poucos desses professores que irão existir se nós, os estudantes, sempre mantivermos nossas cabeças pensantes e abertas às diversas formas de aprendizagem. E que devemos acabar com essa velha frase formada: "O professor finge que ensina e o aluno finge que aprende".
E um PS para você professor que pode eventualmente estar lendo este texto: Se você se identificou com alguns dos tipos citados acima ou apresentar alguns dos sintomas descritos: Mude enquanto há tempo. Pois, já dizia Darwin: “O que sobrevive não é o maior nem o mais forte, mas os que conseguem melhor se adaptar ao meio”.


Nilton Carlos da Silva Brasil
                                         3º Ano de História - UNIFEOB

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Howard Gardner e uma nova maneira de pensar a inteligência




PEDAGOGIA
Howard Gardner
A idéia de que existem várias aptidões além do raciocínio lógico-matemático, apresentada pelo psicólogo, causou grande impacto nos meios pedagógicos

01/07/2011 01:08
Texto Márcio Ferrari

Descrição: Nova-Escola

Howard Gardner concluiu que há sete tipos de inteligência
Frases de Howard Gardner:

“A educação precisa justificar-se realçando o entendimento humano”

“Todos os indivíduos têm potencial para ser criativos, mas só serão se quiserem”

Howard Gardner nasceu em Scranton, no estado norteamericano da Pensilvânia, em 1943, numa família de judeus alemães refugiados do nazismo. Ingressou na Universidade Harvard em 1961 para estudar história e direito, mas acabou se aproximando do psicanalista Erik Erikson (1902-1994) e redirecionou a carreira acadêmica para os campos combinados de psicologia e educação. Na pós-graduação, pesquisou o desenvolvimento dos sistemas simbólicos pela inteligência humana sob orientação do célebre educador Jerome Bruner. Nessa época, Gardner integrou-se ao Harvard Project Zero, destinado inicialmente às pesquisas sobre educação artística. Em 1971, tornou-se co-diretor do projeto, cargo que mantém até hoje. Foi lá que desenvolveu as pesquisas sobre as inteligências múltiplas. Elas vieram a público em seu sétimo livro, Frames of Mind, de 1983, que o projetou da noite para o dia nos Estados Unidos. O assunto foi aprofundado em outro campeão de vendas, Inteligências Múltiplas: Teoria na Prática, publicado em 1993. Nos escritos sobre educação que se seguiram, enfatizou a importância de trabalhar a formação ética simultaneamente ao desenvolvimento das inteligências. Hoje leciona neurologia na escola de medicina da Universidade de Boston e é professor de cognição e pedagogia e de psicologia em Harvard. Nos últimos anos, vem pesquisando e escrevendo sobre criadores e líderes exemplares, tema de livros como Mentes Extraordinárias. Em 2005, foi eleito um dos 100 intelectuais mais influentes do mundo pelas revistas Foreign Policy e Prospect.

Formado no campo da psicologia e da neurologia, o cientista norte-americano Howard Gardner causou forte impacto na área educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada no início da década de 1980. Seu interesse pelos processos de aprendizado já estava presente nos primeiros estudos de pós-graduação, quando pesquisou as descobertas do suíço Jean Piaget (1896-1980). Por outro lado, a dedicação à música e às artes, que começou na infância, o levou a supor que as noções consagradas a respeito das aptidões intelectuais humanas eram parciais e insuficientes.

Até ali, o padrão mais aceito para a avaliação de inteligência eram os testes de QI, criados nos primeiros anos do século 20 pelo psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911) a pedido do ministro da Educação de seu país. O QI (quociente de inteligência) media, basicamente, a capacidade de dominar o raciocínio que hoje se conhece como lógico- matemático, mas durante muito tempo foi tomado como padrão para aferir se as crianças correspondiam ao desempenho escolar esperado para a idade delas. “Como o aprendizado dos símbolos e raciocínios matemáticos envolve maior dificuldade do que o de palavras, Binet acreditou que seria um bom parâmetro para destacar alunos mais e menos inteligentes”, diz Celso Antunes, coordenador-geral de ensino do Centro Universitário Sant’ Anna, em São Paulo. “Mais tarde, Piaget também destacou essa dificuldade e, dessa forma, cresceu exponencialmente a valorização da inteligência lógico-matemática.” 
Trabalho dos gênios
Sob a influência do norte-americano Robert Sternberg, que estudou as variações dos conceitos de inteligência em diferentes culturas, Gardner foi levado a conceituá-la como o potencial para resolver problemas e para criar aquilo que é valorizado em determinado contexto social e histórico. Na elaboração de sua teoria, ele partiu da observação do trabalho dos gênios. “Ficou claro que a manifestação da genialidade humana é bem mais específica que generalista, uma vez que bem poucos gênios o são em todas as áreas”, afirma Antunes. Gardner foi buscar evidências também no estudo de pessoas com lesões e disfunções cerebrais, que o ajudou a formular hipóteses sobre a relação entre as habilidades individuais e determinadas regiões do órgão. Finalmente, o psicólogo se valeu do mapeamento encefálico mediante técnicas surgidas nas décadas recentes. Suas conclusões, como a maioria das que se referem ao funcionamento do cérebro, são eminentemente empíricas. Ele concluiu, a princípio, que há sete tipos de inteligência:

1. Lógico-matemática é a capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções.

2. Lingüística é a habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos.

3. Espacial é a disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais.

4. Físico-cinestésica é o potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos.

5. Interpessoal é a capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e conseqüentemente de se relacionar bem em sociedade.

6. Intrapessoal é a inclinação para se conhecer e usar o entendimento de si mesmo para alcançar certos fins.

7. Musical é a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais.

Mais tarde, Gardner acrescentou à lista as inteligências natural (reconhecer e classificar espécies da natureza) e existencial (refletir sobre questões fundamentais da vida humana) e sugeriu o agrupamento da interpessoal e da intrapessoal numa só.

A primeira implicação da teoria das múltiplas inteligências é que existem talentos diferenciados para atividades específicas. O físico Albert Einstein tinha excepcional aptidão lógico-matemática, mas provavelmente não dispunha do mesmo pendor para outros tipos de habilidade. O mesmo pode ser dito da veia musical de Wolfgang Amadeus Mozart ou da inteligência físico-cinestésica de Pelé. Por outro lado, embora essas capacidades sejam independentes, raramente funcionam de forma isolada.

O que leva as pessoas a desenvolver capacidades inatas são a educação que recebem e as oportunidades que encontram. Para Gardner, cada indivíduo nasce com um vasto potencial de talentos ainda não moldado pela cultura, o que só começa a ocorrer por volta dos 5 anos. Segundo ele, a educação costuma errar ao não levar em conta os vários potenciais de cada um. Além disso, é comum que essas aptidões sejam sufocadas pelo hábito nivelador de grande parte das escolas. Preservá-las já seria um grande serviço ao aluno. “O escritor imita a criança que brinca: cria um mundo de fantasia que leva a sério, embora o separe da realidade”, diz Gardner. 
Enfoques variados, habilidades diversas
Muitas escolas, inclusive no Brasil, se esforçaram para mudar seus procedimentos em função das descobertas de Howard Gardner. A maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas é tentar estimular todas as habilidades potenciais dos alunos quando se está ensinando um mesmo conteúdo. As melhores estratégias partem da resolução de problemas. Segundo Gardner, não é possível compensar totalmente a desvantagem genética com um ambiente estimulador da habilidade correspondente, mas condições adequadas de aprendizado sempre suscitam alguma resposta positiva do aluno – desde que elas despertem o prazer do aprendizado. O psicólogo norte-americano atribui à escola duas funções essenciais: modelar papéis sociais e transmitir valores. “A missão da educação deve continuar a ser uma confrontação com a verdade, a beleza e a bondade, sem negar as facetas problemáticas dessas categorias ou as discordâncias entre diferentes culturas”, escreveu. Pela própria natureza de suas descobertas, o trabalho de Gardner favorece uma visão integral de cada indivíduo e a valorização da multiplicidade e da diversidade na sala de aula.
 Para pensar
Uma das conseqüências nefastas da valorização exclusiva da inteligência lógico-matemática é a tendência de definir o desempenho dos alunos mais pelo que eles não são (dada a impossibilidade de que todos se destaquem numa única área de conhecimento) do que pelo que são. Ainda prevalece o hábito de valorizar as habilidades relacionadas às artes e aos esportes apenas nas chamadas atividades extracurriculares. Você acha que, na prática diária, isso pode começar a ser mudado? De que forma?